Investimento global se tornou necessidade patrimonial

Por: Deyvid Correa da Silva  e Gustavo Chelotti Reis 

O investidor brasileiro aprendeu, ao longo do tempo, a conviver com uma realidade pouco estável. A história econômica do país é marcada por inflação, planos econômicos, mudanças de regras, insegurança institucional e sucessivas trocas de moeda. Essa experiência ensinou – na prática – que concentrar todo o patrimônio em um único país e em uma única moeda pode ser mais arriscado do que parece.

Em um ambiente de instabilidade política, jurídica e econômica, depender exclusivamente do real deixou de ser prudente. Quando o patrimônio permanece integralmente exposto ao cenário doméstico, ele sofre não apenas os efeitos do mercado, mas também os impactos de crises fiscais, oscilações cambiais, alterações regulatórias e incertezas que, no Brasil, não são exceção.

É nesse ponto que o investimento global deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade patrimonial. Internacionalizar parte da carteira não significa abandonar o país, mas reduzir a dependência exclusiva de um ambiente historicamente volátil. Trata-se de diversificar riscos, proteger poder de compra e construir uma base patrimonial mais equilibrada. Além da proteção, há também uma dimensão clara de oportunidade.

O mercado internacional permite acesso a empresas globais, setores inovadores, economias mais estáveis e instrumentos financeiros mais variados. Somado a isso, o avanço da tecnologia tornou o investimento no exterior muito mais acessível.

Investir no exterior já não depende de estruturas complexas ou de barreiras operacionais que, no passado, restringiam esse tipo de estratégia a um público muito específico. Hoje, plataformas digitais, corretoras internacionais, aplicativos e sistemas de acompanhamento em tempo real tornaram o acesso a ativos globais muito mais simples, transparente e eficiente.

O investidor consegue aplicar, monitorar desempenho, rebalancear posições e acompanhar sua carteira com uma facilidade impensável há poucos anos. Esse novo cenário também ganhou maior relevância jurídica e tributária com a Lei 14.754/2023, que trouxe disciplina mais clara para a tributação de aplicações financeiras, entidades controladas e trustes (contrato fiduciário) no exterior. Mais do que um marco tributário, a lei reforçou a importância de tratar o investimento internacional também como tema de planejamento patrimonial e sucessório, exigindo maior atenção à estrutura dos ativos, à forma de declaração e à organização da transmissão de patrimônio em longo prazo. Pensar globalmente, hoje, não é luxo nem modismo.

É uma resposta racional à história econômica brasileira e às exigências de um mundo mais integrado. Em matéria de patrimônio, diversificar geografias, moedas e riscos deixou de ser acessório. Tornou-se parte essencial de uma estratégia séria de proteção e continuidade patrimonial.

    Gustavo e Deyvid

BluMare Wealth Planning 

 

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A diversificação é muito importante, sendo um dos principais fatores para o sucesso da vida financeira. Desde crianças, sempre aprendemos a não deixar todos os ovos na mesma cesta. Não interessa se você é um investidor conservador, moderado ou agressivo. O objetivo é sempre o mesmo. Investir seu dinheiro de forma diversificada para potencializar os ganhos e diminuir o risco no caso de desvalorização. Recorrentemente, quando pergunto a alguém o que prefere, 1 milhão de reais ou 100 mil dólares? Agora, exatamente agora, o que me responderia? As pessoas pensam, mas a maioria faz conta e fala em 1 milhão de reais, pois entendem que com 1 milhão de reais elas conseguem comprar uns 200 mil dólares, pensando na taxa de 5 reais. Uma pequena parte fala que prefere os 100 mil dólares por não fazer conta. Simplesmente por saber a importância que o dólar tem em nossas vidas. Mas quando eu repito a mesma pergunta, porém falando mais sobre e daqui a 15 anos?

Todas elas respondem que preferem o dólar. Neste caso, eu digo, depende. Não temos como saber o que vai estar valendo mais, no entanto, uma coisa é importante: planejar e diversificar para que você tenha um pedaço do seu patrimônio atrelado à moeda mais forte do mundo. Caso aconteça alguma coisa – ninguém está livre - você estará diversificado e diminuindo o seu risco. E por que isso acontece?

O Brasil representa 2% do PIB mundial, ou seja, 98% do crescimento do mundo está fora do Brasil. Para se ter uma noção de comparativo, os Estados Unidos representam 23%, a China 17% e a Índia, 7,5%. Observe a primeira linha do quadro abaixo. Existe um índice chamado MSCI, que é um índice global de Ações do mundo. O Brasil faz parte desse índice somente com 1%, ou seja, 99% das oportunidades não estão no nosso País.

Hoje, só o valor da Apple é maior do que a Bolsa brasileira inteira. Pegando os dados do ano passado, a Bolsa brasileira, juntando todas as ações, tinha o valor de mercado de 1,2 trilhões de dólares, e a as Ações da Apple, valiam 1,3 trilhões. Dentre as 43 mil Ações listadas no mundo, mais de 5 mil estão nos Estados Unidos, 3 mil na China, 6 mil na Índia, e apenas 330 no Brasil.

Atualmente, das 100 marcas mais valiosas do planeta, 55 estão nos Estados Unidos. Sabe quantas brasileiras? Nenhuma.

Mas, existem investidores conversadores que já investem com exposição ao mercado exterior?

Os Fundos de Pensão dos nossos países vizinhos da América Latina, como Chile, Peru e Colômbia, têm respectivamente 42%, 38% e 28% alocados no exterior, e o Brasil não atingiu ainda nem 2%. Segue, abaixo, o desempenho das Bolsas ao redor do mundo na última década. Veja que o S&P destacou-se, apresentando desempenho superior e mais estável ao longo do tempo.

Atualmente, temos doze principais fundos para investir no exterior. Fora do Brasil, temos mais de 20 mil ativos para serem aplicados, mas vou concentrar nos quatro segmentos mais usados pelos brasileiros que investem no exterior: Fundos de Investimentos e ETF Algumas das gestoras mais conhecidas no mundo.

O que sempre ouço é que as pessoas dizem que precisam de muito dinheiro para investir fora do Brasil e isso não é verdade. Você precisa de conhecimento, do mesmo modo que também precisa investir no nosso País.

O grande problema em pensar no futuro é que as pessoas demoram a entender que a medicina avançada e um estilo de vida mais saudável, atualmente, estão fazendo com que as pessoas vivam cada vez mais.

Hoje, no Brasil, um casal com 55 e 59 anos pode se surpreender ao saber que, pelo menos um deles terá 57 % de probabilidade de viver além dos 85 anos de idade, e, portanto, seus investimentos precisam durar mais de 30 anos. Porém, estudos revelam que as pessoas não estão suficientemente preparadas para a aposentadoria.

Os investidores devem começar cedo, poupando mais, investindo com disciplina e estabelecendo um plano para o futuro.

E, claro, diversificando sua carteira no exterior.